Amizade

A amizade é o mais incompreendido dos sentimentos.

Não é amor, não é interesse, não é desejo, não é conforto, não é gratuito, não é rentável, não é caro, não é feliz, não é prazeroso, não é confortável, não é fácil, não é beleza, não é vaidade, não é vergonha, não é respeito, não é submissão, não é bondade, não é obrigado, não é dor, não é falso, não é facultativo, não é cansativo, não é temporário, não é rápido, não é previsto, não é eterno. Ou será que é tudo isto?

É reencontrar-te como se nunca tivesses saído.
É atender-te mesmo quando não dá jeito.
É estarmos sem dizer nada, como se estivessemos sós, sem sentir solidão.
É dar-te a mão quando todos te atiram pedras.
É rir com vontade dos teus embaraços da vida.
É estar horas contigo, sem nunca me fartar de te ouvir.
É ouvir-te as desgraças da vida e chorar contigo.
É nunca lembrar qual de nós pagou a última conta.
É nunca anunciar a tua amizade.
É quando és a primeira pessoa que procuro, no meio de um qualquer arrependimento.
É não lembrar quando, nem porque, falamos da última vez.
É não saber se tenho orgulho em ti.
É despedir com um até já, sem saber se é nesse dia ou na eternidade.
É estarmos bem assim, sem necessidade de mudar nem vontade de convencer.
É sermos muito diferentes, fazermos tudo ao contrário, não sermos do mesmo partido nem do mesmo clube, não termos nada em comum, e ainda assim estarmos bem por sermos amigos.

A amizade é uma improbabilidade matemática.

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