O abraço

Abraçou-a, tomou-a nos braços até encostar a cabeça no seu peito. Deixou-se beijar serenamente, esvaziou ansiedades, descontraiu, venceu reservas, até ficar disponível. Entregou-se sabendo que ele quer tudo. E ela não esperava menos do que isso. Confessaram o inconfessável, mostraram o que nunca tinham mostrado, prostraram-se numa entrega total e mútua, tranquilizadora, que não osContinue reading “O abraço”

Lembras-te de mim?

Ouviu a pergunta numa improvável fila de espera de reclamações de clientes.Lembras-te de mim?Claro que se lembrava da cara, dos olhos, do sorriso, da face com menos rugas e pintura.Lembras-te de mim?Claro que se lembrava das juras, das promessas, da intensidade, da paixão, do calor, da pressa, do cheiro, de cada milímetro do corpo, masContinue reading “Lembras-te de mim?”

José Fulano

Era uma jóia de pessoa mas fazia tudo errado. Não eram coisas graves, nem era por mal, também não era incompetência social, eram meros erros de avaliação. Confiava em quem não devia, desconfiava do que saísse da rotina, embarcava em faróis, encantava-se com coisas simples, ignorava oportunidades. Foi-lhe custando caro, isolou-se, lamentava-se com os próximosContinue reading “José Fulano”

Um homem na corrente

Todos os dias entrava na corrente de gente que ia para lá, fosse para onde fosse, ordeira na pressão sobrelotada. Passava o torniquete, descia a longa escada mecânica, encostado à direita, como faziam os previdentes que se tinham levantado a tempo, chegava à sala grande das decisões, escolhia a direção que levasse mais gente, queriaContinue reading “Um homem na corrente”

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