A astrologia divide-nos em doze pacotes de zodíaco. Eu conheço mais do que doze pessoas diferentes, todos diferentes, igualmente chatos na sua diferença. E há alguns do mesmo signo que não são nada parecidos. Para obviar a situação, juntaram-lhes a constelação do ascendente, que tem a ver com a hora do dia, e temos mais uma variável duodecimal, resultando cento e quarenta e quatro resultados possíveis. Mas, como eu dizia, ainda assim há nativos, do mesmo signo e ascendente, completamente diferentes, e almas quase gémeas, que nasceram do verão para o inverno e do dia para a noite. Espera, dizem-me, ainda tens a influência dos planetas espalhados pelo zodíaco na hora do nascimento. Ora, cento e quarenta e quatro tipos, de signo mais ascendente, vezes nove planetas mais a lua, a vaguear pelos trezentos e sessenta graus do cinto astral, já dá um universo muito razoável de personalidades.
Cento e quarenta e quatro e mais alguns tipos que eu não compreendo. Normalmente chatos. O inferno são os outros. A cabeça deles é um mecanismo estranho. Imagino-os como uma máquina programada com um algoritmo diferente do meu. Os mesmos inputs resultam outputs estranhos. Fica sempre bem acrescentar estes anglicismos, não fica? Mas há outros, na mesma estranhos, que me fascinam. Por serem tão diferentes são uma fonte de criatividade, como uma máquina de calcular avariada que dá resultados aleatórios, mas que também podem ser os números do euromilhões. Dizem que a pitonisa de Delfos não dizia coisa com coisa por causa dos fumos que brotavam das fendas, e todos se riam. Se calhar estou a confundir as histórias, mas os tontos sempre foram um bom oráculo.
Vou fazer o meu mapa astral.
