Terá sido à primeira
Não sabes se foi à segunda
Ou à terceira, como se fosse a primeira
A vista que se fez notar no meio de tanta gente
De início não ligaste ao que disse
Ouviste como se nada fosse
Quando atentaste às palavras
Embalaste na voz tranquila
De verdades que nunca lembraste
Com as palavras veio o perfume, o suor, o hálito
Como se fosse teu desde sempre
Natural, reconfortante, tão bom
O tempo parou, já não quiseste ir
Não sabes que te prende, se é o que diz, o sorriso ou o olhar
Ficas mais perto, ao alcance de um dedo, da palma, do joelho
Em pequenos toques de uma intimidade crescente
No primeiro encosto, afastas-te por instinto,
No segundo, cedes já sem pudor
Num arrepio, sentes o calor
De um corpo que não é o teu
Um beijo roubado, um abraço
Com sofreguidão, pressa e intensidade
Sentes a vertigem do sabor da boca
Que sabes, sempre foi tua
Desde a primeira vista