Quero ser o teu Vodka Martini, James, disseste-me ao ouvido, no meio do barulho e das luzes. Percebi cada uma das palavras e sorri como finge o duro de ouvido por simpatia. Dançavas, olhavas-te confiante e fixavas-te em mim, ao ritmo da música, uma e outra vez. Queria dizer qualquer coisa, nunca me faltavam palavras. Era suposto manter a tensão, mas sentia o chumbo a escorrer-me para os pés e a cera a fixar-me o sorriso de mouco.
James, qual James? E já estava de copo na mão.
A charada matou-me. A oportunidade passou.
Shaken, not stirred, ouvi anos mais tarde, Sean Connery, numa reposição de domingo à tarde do eterno double 0 seven.
Naquela noite fiz o papel do frio e contido vilão soviético, mas nunca esqueci o vestido azul de verão que agitavas à minha frente.
Johnny – How many men have you forgotten?
Vienna – As many women as you’ve remembered.
Johnny – Don’t go away.
Vienna – I haven’t moved.
Johnny – Tell me something nice.
Vienna – Sure. What do you want to hear?
Johnny – Lie to me. Tell me all these years you’ve waited…
Vienna – All these years I’ve waited.
Johnny – Tell me you’d have died if I hadn’t come back.
Vienna – I would have died if you hadn’t come back.
Johnny – Tell me you still love me like I love you.
Vienna – I still love you like you love me.
Johnny – Thanks. Thanks a lot.
Jonny Guitar
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