Pelotão

Gosto de apreciar a dinâmica de um pelotão. Tal como um cardume, um bando ou uma manada de búfalos em corrida, um grupo compacto segue na mesma direção, com a mesma velocidade, com tal densidade que a distância entre si é inferior à sua própria amplitude.
O pior lugar para se estar é à frente ou na extrema do lado de onde vem o vento, à mercê dos elementos. A força do ar e a instabilidade do vento aumentam o esforço em quase um décimo. Os adversários solidarizam-se, alternando-se no guiamento em benefício coletivo. As equipas mais fortes colocam-se à frente, em formação tartaruga, protegendo o seu líder do vento, da fadiga e das quedas coletivas, impondo o ritmo mais adequado à tática do momento.
Quando é preciso velocidade, em longas retas planas, destacam-se os leves, ágeis e velozes. Quando é necessário potência para escalar montanhas, os mais fortes tomam a dianteira. Se forçarem, podem destacar-se e entrar em fuga. O grupo tem de reagir rapidamente, respondendo em força ou ignorando, desconfiando da bravata desses audazes.
Nas longas e perigosas descidas, em velocidade, o pelotão alonga-se e estreita-se, correndo o risco de se partir e provocar o caos. As equipas têm de se impor e reorganizar rapidamente.
Um ou outro, dos mais fracos ou lesionados, vai ficando para trás. Se for recuperável, a equipa sacrifica um dos melhores para recuar, ajudar e rebocar, qual lebre, o elemento em falta. Se for um dos fundamentais a avariar, a equipa tenta baixar o ritmo, tamponando a frente. Mas se for descartável, é mesmo largado.

Estas considerações sobre a sociedade também se aplicam ao ciclismo.

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