Saída de Emergência

Todos os dias passava naquele corredor e lia, naquela porta, saída de emergência.


Todos os dias questionava-se o que seria uma emergência. Seria o desespero que sentia, a injustiça que o castigava, a falta de vontade, o desprezo que lhe votavam, o monotonia das suas rotinas, aquelas luzes brancas no tecto alto, as paredes frias e duras, o vazio?


E para onde seria a saída? Para um corredor como este, com outras injustiças, monotonias e vazios, diferente mas igualmente desesperante, ou seria para uma sala confortável, recebido com bebidas quentes e palmadinhas nas costas? O mais certo é que fosse apenas um salto no vazio, com um paraquedas que podia nem abrir.


Continuou a fazer o mesmo corredor, toda a vida, com o consolo de ter uma Saída de Emergência, para quando viesse a emergência que não sabia como era, com uma saída que não fazia ideia para onde.

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