Hipnagogia

Cansado e nervoso da tensão do dia e da sucessão de noites mal dormidas, deitei-me na cama, vestido sobre a roupa, e cruzei os braços sobre a cabeça, procurando alívio na pressão da dor latejante, do pulsar nervoso do cérebro contra o crânio. A cervical doía-me, perra como se faltasse lubrificação. Não conseguia dormir, esgotado, dorido, exausto, tenso.


Deitaste-te ao meu lado, de bruços, pousaste a cabeça no meu ombro direito, encostaste a tua face à minha. Senti a pressão do teu peito contra o meu, o teu braço sobre mim, o calor do teu corpo, o teu cheiro. Confortaste-me em voz baixa, grave, suave e doce.


Não sei quantos minutos dormi. Acordei e já não estavas lá. Nem podias estar – não sabias o caminho, nem como entrar.
Nunca mais vou esquecer o que me disseste, mesmo que não me recorde de uma única palavra.

Leave a comment

Design a site like this with WordPress.com
Get started