Armando entusiasmava-se com os outros, interessava-se, preocupava-se e cuidava, mas era só se fosse solicitado ou estimulado para reagir. Quando se lhe dirigiam diretamente ou faziam algo que lhe chamasse a atenção, acionava o seu mecanismo social-afectivo e brilhava na fatuidade do momento, com evidentes vantagens pessoais, profissionais e políticas. Mas se estivesse distraído e descontraído, deixava-se ficar absorto, não se emocionava. Isso provocava imensas contrariedades com os mais próximos. Não estava preparado para perceber o seu redor, espontaneamente.
Era o melhor amigo dos menos amigos e quase um desconhecido para os de casa.
Será que sonhava com ovelhas elétricas?