Confiança

Lembrou-se das longas viagens de mota em que ela quase adormecia, com o queixo encostado nas costas dele; da descontração das centenas de quilómetros a sono solto e respiração pesada, a seu lado, no banco do pendura; do seu olhar tenso e decidido antes de se lançarem no bungee jumping; da firmeza do abraço, na queda livre antes de abrir o paraquedas; da mão apertada quando escapavam da tentativa de assalto, no meio das férias distantes; das lágrimas vertidas compulsivamente, no aperto do terror da doença; da tranquilidade com que se despiu e se entregou pela primeira vez; da alegria eufórica com que festejaram os sucessos; dos planos de vida imaginados no relvado, sob lua cheia, numa noite de verão.

Nada disto aconteceu, senão na cabeça dele. Não têm passado, nem terão futuro, mas, no acaso da vida, naquele momento, naquele instante, a eternidade foi deles quando ela disse sem hesitar: Confio, confio em ti!

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