Encontro-te todos os dias, à mesma hora, no mesmo sítio. Vens a puxar a mala, a olhar para o telemóvel. Segues as instruções do mapa, mas não encontras o hotel. Vens cansada e saturada. Calor, viagem longa, bagagem pesada. Não me vês nem me conheces. Nunca nos encontramos. Não sabes de mim, o meu nome, nem sabes que eu existo. Mas será que eu existo? Vivemos em tempos diferentes, em mundos diferentes, suspeito que em dimensões diferentes. Todos os dias, à mesma hora, passas por mim, ouço-te a voz, sinto-te o perfume, não me vês, não me sentes, não sabes de mim. Estendo-te a mão, mas nem sei se braços tenho. Passas. Sei quem és, de onde vez, o que queres, para onde vais, o que fazer de ti, mas não te chego.
