Rei dos bichos

Os animais comiam-lhe na mão, chegavam-se para sentir o calor da sua palma. A voz não tinha comando mas tinha serenidade que só um timbre grave torna confiável. O olhar nos olhos parecia já tranquilizar a irracionalidade dos bichos. Era um dom, uma marca rara, diziam-lhe; a autoridade superiora da sua personalidade, veneravam.
Seria inofensivo se não se tornasse um refúgio para a sua angústia e vazio, até medo, na impotência e desilusão do relacionamento com os humanos.

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