Entraram na vila, nas últimas centenas de metros já em terreno plano, a meio da extensa reta, antes da estrada voltar a subir, lá ao fundo, para mais curvas, mais vinhas, mais montes, outras vilas, cada vez mais esparsas para o interior.
A placa de cimento, em bandeira, com o autocarro estilizado a preto e branco, marcava a paragem da carreira e apontava para a esquerda, para o início da rua que descia suavemente até ao rio.
Não havia movimento naquele fim de manhã. Também nunca haveria grande rebuliço. A terra era muito pequena e pouco comércio por lá passava. A igreja, a escola, a câmara municipal, a venda de secos e molhados, que também fazia de tasco e casa de pasto para viajantes, e alguns pequenos comércios, como o sapateiro, o alfaiate e pouco mais. O médico atendia em casa e ele próprio dispensava as mezinhas. Farmácia, só a alguns quilómetros de distância, longe demais para ir a pé.
A rua principal corria paralela ao rio, entre rua marginal e a estrada nacional, intercetava a rua perpendicular, que ia da paragem na estrada ao rio e, depois, atravessava a ponte para o apeadeiro na outra margem, numa pequena praça redonda, com a escola, a câmara e a igreja.
Quem descia da estrada em direção ao rio, encontrava a escola do lado esquerdo, logo à entrada da rotunda, em frente à câmara, e do outro lado da praça, ao lado direito, ficava igreja, com a sua porta aberta, preparada para receber o sol poente, quando chegasse a tarde.
As aulas decorriam na escola. Duas janelas grandes, com a haste de bandeira sobre a do lado esquerdo, porta ao fundo, à direita, junto à casa de banho exterior, de onde espreitaram discretamente, pelo vidro. A professora era nova, pouca mais velha do que Sebastian, falava alto e passava entre as crianças sentadas, que escreviam na lousa. A professora Dulce reformara-se há cerca de cinco anos e faleceu pouco depois, já lhes tinha contado D. Maria.
Sebastian olhou em silêncio, a sala, os quadros, os mapas, a fotografia de Salazar, as crianças e o pequeno pátio exterior onde tanto brincara.
“-Vamos à igreja!”.
Atravessaram a praça em silêncio e entraram na igreja. Estava vazia, iluminada pelo sol nos vitrais e algumas velas devotas. Era uma igreja como tantas outras no interior de Portugal, de finais do século XVIII, com talha dourada, no altar, a bordejar Cristo crucificado, anjinhos bochechudos pintados em azulejos, e várias figuras de santos nas laterais. Um pequeno altar, destacava-se à direita, iluminado com algumas velas e pelo vitral da lateral da entrada. Era o do padroeiro da terra. Josefina reconheceu-o imediatamente. A cara de menino, as cordas e as setas. Cutucou o cotovelo de Sebastian e aprontou. Ele sorriu, curvou-se e e sussurrou-lhe “-Persegue-me. St. Sebastian persegue-me”.
Ficaram alguns minutos sentados na igreja. Josefina não percebeu se Sebastian orava ou só descansava. Olhava em frente. Talvez só recordasse tempos passados.
Fez-lhe sinal e saíram.
“-O padre Rogério vive já aqui atrás. A esta hora deve estar em casa.”
Viraram à direita, entraram na rua que descia ao rio, e logo ali, paredes meias, estava a casinha tal e qual Sebastian havia descrito.
A chaminé fumegava, preparava-se o almoço. Bateram à porta.
Um homem de camisa branca, forte mas sem ser gordo, cerca de cinquenta anos, cabelo cinzento, abriu a porta, fixa os olhos em Sebastian alguns segundos, inexpressivo, tempo demais, como se baralhado de um reconhecimento possivelmente desagradável, porque só somos agradáveis para desconhecidos ou com quem controlamos as emoções, mesmo a hipocrisia. O homem como que balbucia qualquer coisa, entre a obrigação de algo dizer e o embaraço de não saber o quê.
“-Father Roger…”, disse Sebastian.
“-Meu Deus, és mesmo tu.”
Apertou-lhe as mãos, puxou-o. Sebastian sorria.
O padre estava genuinamente emocionado.
“-Eras tão pequenino. Há quanto tempo?”
Abraçaram-se, e voltaram a olhar-se nos olhos.
“-Estava baralhado. Conheci-te imediatamente mas…. Ainda tens cara de miúdo mas agora estás maior do que eu.”
O padre Rogério era um homem alto, tinha quase um metro e oitenta, mas tinha de olhar para cima.
“-Entrem, entrem! E tu, minha menina, quem és? A noiva do Sebastião?”
Josefina nem conseguiu responder porque Sebastian antecipou-se, em jeito de justificação.
Explicou rapidamente que ela era empregada da William Richardson & Co., estava ali a estagiar com ele, estavam hospedados uns dias na quinta, com Maria, e que ela era muito jovem, tinha treze anos.
“-Minha filha, peço imensa desculpa. Vi-os juntos, e com a sua pose, tão adulta, de senhora, pensei que eram da mesma idade. Mais uma vez, peço desculpa.”
Josefina ficou embaraçada, primeiro, depois aliviada. Mas também ficou envaidecida. Sentir-se ao nível de Sebastian, passar por noiva de Sebastian, mesmo por colega próxima, que seja, da mesma igualha, fazia-a sonhar. Ele era aquele homem jovem, dinâmico, inteligente, culto, trabalhador. E bonito. Era capaz de ficar horas junto dele, a ouvir, a aprender. A voz dele acalmava-a, era confiante. Nos últimos dias apercebeu-se que também ficava bem com ele calado. Junto dele era sempre bom. Noiva. Com ele.
Durante largos minutos, estivera absorta nos seus pensamentos. Entraram, sentaram-se os dois à mesa, ela no sofá. Eles falavam de pessoas que ela não conhecia, de outros tempos. O crucifixo estava lá. Cristo de latão olhava para baixo, em sofrimento. O aparador continuava com as chávenas e pires de serviços desirmanados, dentro das portas de vidro de correr. Um dos vidros estava quebrado. A esquina debaixo do lado esquerdo. Como se tivesse forçado algum travão, ao fechar, no trilho metálico. Sebastian não lhe falara disto, quando descrevera os vidros gravados com flores. O acidente deve ter sido depois. Ele tinha feito uma descrição pormenorizada, teria falado do vidro escanado. Também reparou que as paredes precisavam de ser pintadas. Já não eram daquele branco ofuscante que ele dissera. Passaram quinze anos, no vidro e nas paredes.
Noiva. Do sonho de menina, da filha do sapateiro e da lavadeira com todo o mundo por descobrir e aprender, acordou para a realidade.
Tinham chegado em cima do almoço, que o padre já preparava no seu fogão a lenha, na cozinha ao lado da sala. De vez em quando levantava-se para ir ver como estavam as suas batatas. Estava a cozer batatas, couves e um chispe de porco. Cheirava bem. Aproveitou a cozedura, acrescentou quatro ovos, cortou várias fatias grossas de um presunto que tinha dependurado na chaminé por cima do fogão, que disse terem-lhe oferecido os pais da noiva num casamento que celebrou nessa primavera, foi buscar azeitonas a um pote de barro, abriu um chouriço que estava guardado em azeite e partiu meia broa de milho. Também trouxe uma garrafa de vinho, mas esse bebeu-o sozinho, porque ainda tínham um longo caminho de volta. Tudo isto improvisado e partilhado, porque não os deixou sair sem almoçar.
Falaram, riram-se, recordaram peripécias
“-Que se passa com o teu pé? Coxeias.”
“-Foi um acidente. Acho que vai melhorar “
“-Um acidente de quê? Como é que fizeste isso?”
“-Uma aventura mal calculada. Nada de especial.”
“-Mas não podes ir assim, a pé para casa.”
“-Claro que posso. Já contava com isso.”
“-Não. Vou-vos arranjar uma boleia.”
Josefina estranhou as evasivas de Sebastian. Era de poucas palavras, mas respondia sempre diretamente ao que lhe perguntavam. Se estava curiosa sobre a lesão no pé, ainda mais ficou.
Josefina era muito nova mas era sensível e atenta. A conversa fora animada e sentida, genuína e fraterna, mas se Sebastian contou ao padre como chegara a casa, em Grosmont, em 1945, a sua relação com a mãe, a vida no colégio interno, o que aprendeu lá, e que lhe valeu o que aprendeu com o padre e a professora Dulce, como era a vida dele agora, nos vinhos, mas omitiu parte da sua formação e vida de jovem adulto. Josefina reparou porque tinha muita curiosidade em saber onde é que ele estudou e trabalhou, e, claro, se tinha namorada, projetos, ambições. Coisas que a enchiam de curiosidade, mas não tinha coragem perguntar e também não tivera oportunidade. Ao padre, terão passado despercebidas, por falta de interesse ou distração.
“-Senhor Padre, tão dinâmico, culto e popular nos paroquianos, está há tantos anos nesta terra, quase há vinte. Nunca quis sair daqui, mudar-se? Não contava ainda encontrá-lo por cá.”
A cara do padre fechou-se e ficou calado numa pausa prolongada.
“-Sabes que estudei no seminário, em Braga, ordenei-me padre e fui para Roma. Aprendi mais, lá, mas o chamamento da aventura, ajudar os pobres e evangelizar o mundo, levou-me para África. Fiquei lá alguns anos, o melhor tempo da minha vida, mas rebentou a guerra na Europa, não se sabia até onde podia ir. Era cada um por si. De início fui chamado a Lourenço Marques, mas logo de seguida meteram-me num barco para a metrópole. Cheguei aqui em 1941, provisoriamente, para substituir um padre que falecera repentinamente. Os tempos eram difíceis, tempos de guerra. Havia fome por estas terras. Pouco trabalho, racionamentos. Também não sabíamos o que iria acontecer. A guerra espanhola tinha acabado há pouco, ainda havia por aqui refugiados, republicanos escondidos nos montes. O mais certo seria Franco alinhar com Hitler. Quando isso acontecesse, mantivéssemos neutrais ou alhinhássemos com os aliados ou com Franco, a nossa independência desaparecia, a bem ou a mal. Salazar percebeu isso e tentou manter a vida rural o mais normal possível. Segurou os padres nas vilas e aldeias, manteve a produção agrícola o mais que pode, para fixar as gentes às terras. Também era preciso alimentar a população e manter uma reserva de gente para o que desse e viesse. Ele também não queria migrações internas. Lisboa já estava cheia de judeus e outros fugidos do resto da Europa. Naquela altura éramos todos salazaristas. Queríamos estar longe dos horrores da guerra e manter a nossa vida o mais normal possível. E estávamos a conseguir.
A partir de 1943, a guerra começou a virar a nosso favor. Salazar percebeu os novos ventos e cedeu os Açores aos aliados. Foi uma enorme alegria para mim. A liberdade a vencer a barbárie, e nós do lado certo da história.
O fim da guerra foi o momento de maior esperança da minha vida. Júbilo, alegria e planos para futuro. Enchi as homilias de palavras como fraternidade, liberdade e liberdade, como as da velha revolução. Prometi que as injustiças tinham acabado, iria haver trabalho justo para todos. O futuro seria radioso.
Mas nada disto aconteceu. Os proprietários voltaram às terras, depois de se terem refugiado nas cidades, o poder e opressão manteve-se, continuaram as jornas miseráveis, a GNR veio ressalvar a ordem. Eu não me calei e, de vez em quando, tinha homens estranhos nas minhas celebrações. Polícias à paisana na nossa igreja para ouvir o que eu dizia ao povo. A terra é pequena. Toda a gente sabia.
Em maio fui de comboio ao Porto, para ver e ouvir o General Humberto Delgado. É um aviador que viveu, nos últimos cinco anos, em Washington e pretende substituir o Salazar e fazer de nós uma nação moderna. Foi uma emoção enorme. Senti-me livre. Ouvi o que nunca ouvira, falamos entre nós, na multidão, milhares de pessoas, gritamos. O homem é formidável, ouvi-o a discursar. Mas é claro, roubaram-lhe as eleições do mês passado. Mas isto agora vai na mesma. O mundo fascista já é passado. Sobra aqui e em Espanha, mas é por pouco tempo.
Mas sabes, fui acompanhado, no comboio até ao Porto, por dois facínoras de casaco preto e chapéu, sentados dois bancos atrás do meu. Lá, não os vi, mas estavam à minha espera, em São Bento, e vieram até cá, outra vez. Como se eu não reparasse.
Passados uns dias, fui chamado ao bispo. Para me dizer que não queriam padres vermelhos. Eu, comunista? Nunca fui. Só não suporto injustiças e exploração dos trabalhadores. Fui aconselhado a calar-me senão poderiam necessitar de mim outra vez em África. Como se eu me importasse. Moçambique também já era a minha terra. Mas eles não me querem lá. Aqui controlam-me melhor. Os tempos estão a mudar outra vez, e está a começar por África. Os europeus estão a recuar em força de todas as colónias. Vem aí uma vaga de autodeterminação e independências. Os franceses e ingleses já se estão a retirar, derrotados…”
“-Senhor padre, temos de ir embora. Já é tarde “. Sebastian levantou-se intempestiva e nitidamente alterado. “Temos um longo caminho para casa e não queria chegar de noite.”
“-Então? Podem ficar mais tempo. Hoje de tarde, não tenho nada marcado. Ninguém me chamou, em caso de urgências ou confissões, vêm-me bater aqui à porta. E só tenho o Terço, logo às seis horas.”
“-É, mas o caminho é duro e a subir”, disse coçando a perna lesionada.
“-Se esperarem pelo fim da tarde, arranjo-vos boleia. E também há a carreira das seis e meia. Passa lá à porta.”
Sebastian insistiu na pressa. Pouco passava das três horas. Josefina não percebia o que se passava. Não tinham compromisso da parte de tarde, o plano era passear o dia todo, visitar a vila, ver as pessoas, ir à escola e à igreja, os locais da meninice. Ele esboçava um sorriso mas mal disfarçava o incómodo. Seria a dor na perna ou no pé? Mas se fosse isso, não fazia sentido o regresso à pressa, a pé.
O padre cedeu. Sebastian era teimoso e não queria ficar ali nem mais um minuto. Despediram-se com afeto, mas a alegria já não era a mesma. O padre parecia não compreender, mas, ao fim ao cabo, mal conhecia este adulto. Tratava-o como a criança que vira pela última vez quinze anos antes. Ele, agora, tinha vontades, medos, defesas, limitações aparentemente incompreensíveis, de que a experiência e sensibilidade do padre se apercebia, embora sem compreender.
Sebastian precisava de espaço, silêncio, tranquilidade, calma. Sentiu-se oprimido naquela sala cada vez mais fechada. O padre Rogério não tinha culpa mas monopolizara a conversa, entusiasmou-se com a política, não deixou mais ninguém falar. Argumentou e julgou à sua maneira. Mas algo tocara fundo nas convicções do jovem, que não tivera força nem coragem para enfrentar o homem que fora o seu mestre da infância.
Despediram-se e saíram para o caminho.
Rapidamente chegaram à estrada, sempre em silêncio, caminhando lado a lado. Josefina tentou conversar sobre detalhes da paisagem, a puxar pelo conhecimento de Sebastian. Uma árvore, uma cultura, uma casa, a propriedade de uma quinta do outro lado do rio, o barco que passava, mas ele respondia sempre com monossílabos. Agora coxeava muito pouco, como se a dor tivesse quase desaparecido.
Na verdade, pouco sentia o pé, numa dormência de decisão e vontade, mas quando o declive da estrada se acentuou, o passo começou a ficar irregular, num esforço de dor evidente.
Josefina deu-lhe o braço. Sentiu um abuso de confiança, mas, embora Sebastian se mostrasse impassível, a dureza do rosto demonstrava toda a contenção da dor. Ele aceitou o apoio. Ela era mais baixa mas, ainda assim, o braço dado aliviava-lhe a dor e a pressão no calcanhar.
Ainda não tinham chegado a meio do caminho, e ela apertou-lhe a mão. Praticamente segurava-o de um lado.
Já viam o cimo da estrada, antes de começar a descer para a quinta, mas ainda faltava quase um quilómetro.
“-Quer sentar um bocadinho, numa pedra? Aliviar o pé?”
“-Agora não.Está tudo quente. Se arrefecer, depois não consigo andar mais.
Josefina olhou-o e pareceu-lhe ver os olhos marejados de dor. Sem dizer nada, abraçou-o e passou o braço dele por cima dos seus ombros, sem lhe largar a mão. Ele deixou e não disse nada. Os seu corpos seguiam agora, lado a lado, abraçados. Josefina era forte e suportava bem parte do peso de Sebastian. O alívio foi quase imediato mas a dor era persistente. O orgulho de Sebastian não o deixaria ser amparado por uma miúda, mas sentira o alívio e ele sabia que ela suficientemente robusta para o segurar.
Josefina ia num baralhar de sentimentos. Temera ser demasiado audaciosa em lhe dar a mão e abraçar, mas também sentia orgulho em ser prestável e poder ajudar um homem em dificuldades. E ele não era um homem qualquer. Nunca estivera tão perto dele e nunca se sentira tão bem. Sentia-lhe o calor e os músculos. Levavam o passo ritmado e os corpos esfregavam-se a cada metro. Nunca sentira isso. Queria que faltassem ainda mais quilómetros. O braço dele, por cima dos ombros dela, fazia com a sua face encostasse no peito dele. A camisa era macia como nunca sentira. A humidade e o odor do corpo suado, do esforço dorido, parecia-lhe estranhamente agradável. Estava a gostar muito. Como nunca sentira.
Chegaram ao cume, atravessaram os tranqueiros de granito da entrada, começaram a descer para casa. Mantiveram agarrados, a descida também era difícil, mas quando chegaram perto da adega, já em terreno plano, naturalmente afastaram-se. Sebastian ganhou um novo equilíbrio e força, sempre orgulhoso.
Entraram em casa, pela cozinha, em silêncio. Josefina não se atrevia a dizer nada. Não estava ninguém. Beberam água e subiram as escadas. Sebastian subiu como se nada fosse. No corredor do primeiro andar, combinaram descansar um pouco, antes de jantar.
“-Thank you”, disse, dando-lhe um beijo na face, sentido e envergonhado.
Virou costas e subiu o lanço de escadas, para o seu quarto da torre, agarrado ao corrimão.
Sebastian tinha um pequeno estojo médico, de campanha, no quarto. Trazia-o sempre consigo. Tomou dois comprimidos de Tylenol e esfregou o pé com um óleo de amêndoas, gérmen de trigo e azeite, que já trazia preparado.
Deitou-se a descansar o corpo, com o espírito atormentado pela conversa com o padre. Tinha um assunto por resolver. A vida por resolver.
Josefina encheu a banheira de água. Um luxo de água quente e espuma. Era o quarto e casa de banho mais luxuoso que já vira. Só conhecia o seu e outros do cinema. Este era como os do cinema. Para melhor, porque era real.
Mergulhou na água. Sentiu a calor envolvê-la. Foi o dia mais importante da sua vida tenra de treze anos. Mais um. Sentia o que nunca sentira. Sentia-se confiante, dona do seu corpo, protegida e segura.