
Os livros são como as pessoas. Há os solenes, os de capa rija, os flexíveis, os de bolso, os ilustrados e chamativos, os rudes e ásperos, os pesados de folhas grossas em contraste com os de papel fino quase transparente, os velhos e desgastados, os que perdem brilho, os maltratados, vincados e sublinhados ou manchados e os outros que foram sempre pegados com duas mãos, cuidados e amados, os esquecidos no fundo duma gaveta e os relidos sempre com gosto, os de quem se fala e os de quem já ninguém se lembra, os ardidos nos incêndios e os imortalizados na memória digital, os especializados e os que mesmo cheios de letras parecem em branco.
As pessoas são como os livros. Só as conhecemos quando se abrem e deixam folhear, manusear, virar, sujar, rasgar, apreciar e amar, quando se deixam ler. Antes disso, passam por nós, trocamos palavras, partilhamos quotidianos de circunstância, mas não passam de lombadas decorativas numa prateleira esquecida.