Rio de Janeiro

Ao amanhecer do dia 1 de janeiro de 1502, os três navios da pequena frota capitaneada por Gaspar de Lemos entravam na embocadura de um enorme rio de águas salgadas.
A euforia instalava-se entre a cansada mas esperançosa tripulação. Tinham largado a barra do Tejo, em março, com a missão de aportar as Terras de Vera Cruz, cartografar, medir, registar, informar a corte de Lisboa da dimensão e riqueza da descoberta acidental de Pedro Álvares Cabral no ano anterior, trazida em carta de Pero Vaz de Caminha, em mão pelo próprio Gaspar, no interrompimento e retrocesso parcial da histórica e acidentada segunda expedição à Índia.

Gaspar de Lemos sabia por onde andava
Tinha secundado Álvares Cabral até Porto Seguro, retrocedido a casa a dar a notícia do achamento, e agora voltava com a sua própria expedição, armado de cientistas e sábios, entre eles o cartógrafo florentino Américo Vespúcio, e de padrões reclamantes da posse real das terras. Mesmo assim, pasmava-se com a enorme extensão de terra revelada desde que acostaram na batizada Baía de Todos os Santos, a 1 de novembro, passaram pelo Porto Seguro e seguiam para sul.
A foz de um rio daquela dimensão abria perspectivas e sonhos de riqueza na exploração do interior do que se mostrava um enorme continente. A floresta densa e luxuriante, as aves ruidosas e coloridas, a brancura dos extensos areais ornamentados de enormes penedos de cúpula arredondada, a bondade de inocentes indígenas que lhes acenavam com curiosidade, impressionavam aqueles europeus rudes que fugiam às doenças e dificuldades de um continente sem recursos, superpovoado e em guerra.

Só não sei se foi Lemos ou Vespúcio quem batizou o Rio de Janeiro no primeiro dia do ano de 1502, naquele delicioso erro que eternizou a cidade maravilhosa, ao não darem ouvidos aos guaranis que lhes gritavam da praia que aquelas águas eram uma baía, um braço de mar, na sua língua tupi: “- Guanabara!”

Leave a comment

Design a site like this with WordPress.com
Get started