Até ao século dezoito, o desígnio de vida de um europeu era salvaguardar um lugar no céu. Construíam igrejas cada vez maiores, engrossavam enormes procissões e peregrinações, ofereciam-se para combater na guerra santa contra os infiéis. A vida terrena não tinha importância, a sua qualidade também não. Morria-se e matava-se por muito pouco, escravizava-se eContinue reading “Tratar da alma”
Author Archives: Rui Rodrigues
Tradução
Eça de Queirós dizia que Portugal era uma tradução do francês.Portugal do século vinte e um é uma tradução do braile.
PV=nRT
Com pressão alta e a baixa temperatura, uma pessoa apresenta-se sólida e fiável, podendo ser uma boa base para um bom relacionamento ou projeto. Baixando a pressão, dando mais liberdade, ou excitando o corpo, por subida da temperatura, amolece e derrete-se, podendo liquidificar-se, deixando de ser possível segurá-la entre mãos. Prosseguindo a descompressão e subindoContinue reading “PV=nRT”
Avesso
Só a conheces verdadeiramente quando a viras do avesso
Maresia #2334
Sete dias, sete músicas
Sobrevivo
Só há três maneiras de viver neste mundo: ou bêbado, ou apaixonado, ou poeta.(Mário Cesariny) Só há uma maneira de sobreviver neste mundo: sóbrio, desinteressado e realista.(R.)
Entre lençóis
A matéria escura que existe no universo sente-se mas não se vê. Está lá, deforma o espaço-tempo, mas é transparente e não emite nem reflete luz.É como estar deitado na cama e tapar com um enorme lençol, dos pés à cabeça. Se alguém se deitar por cima do lençol, a nosso lado, é sentido, empurra-nos,Continue reading “Entre lençóis”
5. Palos
Não tinha por que voltar. Ninguém me esperava. Estava no melhor sítio para viver.Depois de dois dias sem rotina nem disciplina, decidi escrever mais alguns capítulos dos meus livros. Precisava de tempo e repouso.– Olá Eleni. Queria ficar mais algum tempo. Tenho quarto?– Claro que sim, Rui. Quantos dias?– Até ao Natal… Do próximo ano.–Continue reading “5. Palos”
Maresia #2333
Sete dias, sete músicas
4. Passado
Aquele que eu fui morreu em dois mil e treze.A culpa não foi de ninguém. Foi uma daquelas combinações aleatórias que nunca deveria ter acontecido. Estava tudo bem e de um momento para o outro tudo mudou, o emprego acabou, a carreira desapareceu, a família desfez-se, o fogo da vida apagou-se.Aos quarenta e cinco anos,Continue reading “4. Passado”