Cada quinta tem as suas leiras e socalcos, com diferentes químicas, morfologias e videiras de várias castas. Cada cesto das vindimas é identificado consoante a sua origem e qualidade, para que, na vinificação, os enólogos saibam do que dispõem para produzirem os melhores vinhos.A trabalho de Sebastian começa quando o vinho passa das cubas deContinue reading “Josefina Madeira . 4”
Author Archives: Rui Rodrigues
É lidar
Obrigam-me a saltar para arena, de capa e espada.Eu não quero, estou melhor na bancada a aplaudir outros heróis. Tem de ser, gritam-me, tu consegues.Soltam-me a besta de quinhentos quilos. Dá duas voltas rápidas, como para se ambientar, a populaça empolga-se. Raspa o casco no chão, arranca para mim. Dou um passo ao lado, cedo-lheContinue reading “É lidar”
Caducidade
Quanto tempo duram as nossas palavras? E as nossas juras, promessas e vontades?Uns dizem que duram o tempo que quisermos. Outros dizem que duram o tempo da memória colectiva. Outros, ainda, dizem que se forem gravadas na pedra duram para sempre. Mas o que vale uma pedra se quem a escreveu já foi esquecido háContinue reading “Caducidade”
Desígnios
Amarguras, na solidão do fim do verão, com a condescendência que julgas sentir nos atos ou palavras dos outros, que gostam de ti, por ti, como tu és agora, e nem querem saber das metas impossíveis de cumprir, que te impões e te frustram.
Tranca do diabo
Os dias correm na sua entediante monotonia de lento desgaste, encadeando pequenas irritações com ainda menores entusiasmos, neste passeio de sentido único da vida diária que sabemos como acaba, acreditando que nos vamos aborrecer de morte antes que ela se aborreça de nós.Nada é pior do que a injustiça do chefe, as contas do fimContinue reading “Tranca do diabo”
Maresia #2338
Sete dias, sete músicas
Josefina Madeira . 3
O mês de janeiro era de grande azáfama nos armazéns de vinho, com os engarrafamentos de inverno, aproveitando estabilidade da hibernação sazonal da atividade biológica do envelhecimento em madeira, para a trasfega e deposição em vidro. Além do trabalho de enchimento, arrolhamento, lacragem e rotulagem, feito por pessoal efetivo e bem treinado, era necessário umContinue reading “Josefina Madeira . 3”
Um homem na corrente
Todos os dias entrava na corrente de gente que ia para lá, fosse para onde fosse, ordeira na pressão sobrelotada. Passava o torniquete, descia a longa escada mecânica, encostado à direita, como faziam os previdentes que se tinham levantado a tempo, chegava à sala grande das decisões, escolhia a direção que levasse mais gente, queriaContinue reading “Um homem na corrente”
Último dia
Ela vivia obcecada com o último dia da sua vida. Todos os dias de manhã, acordava a pensar que esse poderia ser o dia. Fazia listas do que faltava, do que queria, do que ia deixar, do que queria visitar, do que ficou por fazer, do que ainda não disse.Todos os dias acabavam por serContinue reading “Último dia”
W 75th St
Nunca vos contei a história dos meus vizinhos de baixo? Adoro-os. Vivem frente a frente, a um patamar de distância. Quando estão em casa nem fecham as portas, como se fosse um só apartamento. Ninguém se importa, nem o senhorio. Dão vida ao condomínio, não se metem com ninguém, têm as contas em dia eContinue reading “W 75th St”