Não tinha por que voltar. Ninguém me esperava. Estava no melhor sítio para viver.Depois de dois dias sem rotina nem disciplina, decidi escrever mais alguns capítulos dos meus livros. Precisava de tempo e repouso.– Olá Eleni. Queria ficar mais algum tempo. Tenho quarto?– Claro que sim, Rui. Quantos dias?– Até ao Natal… Do próximo ano.–Continue reading “5. Palos”
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4. Passado
Aquele que eu fui morreu em dois mil e treze.A culpa não foi de ninguém. Foi uma daquelas combinações aleatórias que nunca deveria ter acontecido. Estava tudo bem e de um momento para o outro tudo mudou, o emprego acabou, a carreira desapareceu, a família desfez-se, o fogo da vida apagou-se.Aos quarenta e cinco anos,Continue reading “4. Passado”
3. Instalação
As Cíclades são o meu algarve, da mesma maneira que o Algarve foi o algarve das gerações anteriores até à montagem espaventosa dos anos noventa e seguintes que destruiu quase tudo que não estava protegido, e continua. As Cíclades são o meu conforto quando procuro sossego, calor, águas cálidas, tranquilidade, paisagens, praias, gente boa, semContinue reading “3. Instalação”
2. Tarefa
Chego e não tenho ninguém à espera. É natural, não informei nem pedi. Saio pelo meio de familiares que aguardam ou que se despedem e homens – são sempre homens, ainda estamos longe da paridade – com folhas A4 com nomes manuscritos ou nas mais variadas letras e dimensões disponíveis no Word. Táxis fazem filaContinue reading “2. Tarefa”
1. Reencontro
No fundo do porão escuro, mal cheiroso e barulhento, aguardavamos o desembarque de pé, virados para o enorme portão, agarrados às malas, choro de crianças nervosas, conversas e chamamentos em várias línguas na excitação da chegada. Sentíamos as manobras do barco sincronizadas com as operações do motor – arranca, pára, inverte, vira.Tinham-nos chamado para descerContinue reading “1. Reencontro”