Golfe

“O dia de descanso nacional era agora passado no country club, um Valhalla de silenciosos relvados de golfe, aspersores sibilantes e crianças aos gritos a brincar na piscina coberta, mas Ferguson raramente acompanhava os pais naquelas viagens de quarenta minutos até Blue Valley, dado que domingo era o dia em que treinava com as suas equipas de baseball, futebol e basquetebol – mesmo nos domingos em que não havia treino. Visto ao longe, não havia nada de errado com o golfe em si, e sem dúvida que se podia arranjar argumentos a favor dos cocktails de camarão e das sanduíches de três andares, mas Ferguson tinha saudades dos seus hambúrgueres e taças de gelado de menta com pepitas de chocolate, e quanto mais se aproximava do mundo o que o golfe representava, mais aprendia a desprezar golfe – não tanto o desporto em si, talvez, mas seguramente as pessoas que o praticavam.”

Paul Auster, 4321, cap. 2.4

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