Revelei-te o mais íntimo de mim com o inconfessado desejo que te apaixonasses.Tive medo que fugisses, que te aproveitasses da minha fragilidade, que usasses o meu corpo.Não contava que adormecesses.
Author Archives: Rui Rodrigues
Retardados
Tenho inveja da segurança dos retardatários. A descontração de chegar ao trabalho com as tarefas já distribuídas, só ter para comer o que já foi rejeitado, sentar no lugar que mais ninguém quer, apostar no único treze que sobrou, encarar a censura de quem nos espera, arriscar dar com a porta já encerrada, não éContinue reading “Retardados”
Mitos e ditos portugueses
Há um dito muito interessante do povo português, referindo-se a acontecimento ou monumento anterior à nacionalidade, que é dizer é do tempo dos mouros.Lendas com castelos dos mouros, reis mouros ou princesas, chegaram ao século XX referindo-se indistintamente a episódios, construções ou ruínas visigóticos, romanos e até dolmens e antas neolíticos, além, naturalmente, dos própriosContinue reading “Mitos e ditos portugueses”
Maresia da semana
Quarenta e quatro
Uma ou duas vezes por ano, fazia a visita de cortesia que se deve ao nosso melhor cliente. Era sempre um almoço num local bom e discreto, daqueles que só os homens mais ricos das terras pequenas conhecem. O Sr. Armando era um verdadeiro caso de sucesso, case study, como dizem os estrangeirados. Formação deContinue reading “Quarenta e quatro”
Arrependimento
És um monta cargas de arrependimentos acumulados ao longo da vida. Do mal que fizeste, a ajuda que não deste, um esquecimento, a mentira piedosa, a pequena traição, a conta por pagar, um convite que não aceitaste, outro que não fizeste, a promessa não cumprida, uma amizade deixada lá atrás, aquela desilusão provocada, o favorContinue reading “Arrependimento”
Caixa negra
A meia idade é isso mesmo, estar a meio do que já começou há muito. Se estamos a meio, do que já começou há meia vida, é porque já está tudo iniciado e só falta escrever a segunda metade do nosso livro. Nas segundas metades dos livros, conhecemos bem as personagens, sentimos aquele conforto deContinue reading “Caixa negra”
Sorriso sincero
Eram amigos já há algum tempo. Partilhavam outros amigos, espaços, interesses e vivências, por vezes alguns trabalhos e tarefas. Tudo normal, nesta vida normal de gente normal. Um dia ela fez-lhe uma pergunta surpreendente: “- Porque és bom para mim?” Ele ficou embaraçado com frontalidade e ingenuidade que o deixou sem resposta. Porquê? O quê?Continue reading “Sorriso sincero”
Vodka Martini
Quero ser o teu Vodka Martini, James, disseste-me ao ouvido, no meio do barulho e das luzes. Percebi cada uma das palavras e sorri como finge o duro de ouvido por simpatia. Dançavas, olhavas-te confiante e fixavas-te em mim, ao ritmo da música, uma e outra vez. Queria dizer qualquer coisa, nunca me faltavam palavras.Continue reading “Vodka Martini”
Constantinopla no século XXI
No início século XV, o mundo grego não se cingia ao extremo sul dos Balcãs e ilhas, como hoje, mas extendia-se pelo império romano do oriente, ou bizantino, no ocidente da actual Turquia, costas da Ásia menor, ilhas dos mares Egeu e Jónico, Peloponeso, Ática e Macedónia na Grécia continental.Por essa altura, a grande cidadeContinue reading “Constantinopla no século XXI”