Escrever

“Quando escrevo não sou descritivo, nem crítico, muito menos autobiográfico. Imagino saídas onde não existiam e imponho barreiras nas passagens por onde avancei, decisões que podia ter tomado ou que seriam tomadas por outro que estivesse no meu lugar. O resultado é uma realidade alternativa que esteve muito perto de acontecer, ou talvez não.”(JP)

Convívio

Não percebi se foi com amargura ou jactância, mas afirmou, algo seriamente, que perdera o hábito e gosto pelo convívio. As conversas já não lhe interessavam, pareciam repetidas, sem surpresas nem entusiasmos. Programas familiares, piqueniques, lanches, idas à praia, já não lhe despertavam emoção. Do churrasco no jardim, só se lembrava do barulho das crianças.Continue reading “Convívio”

Ítaca

“Quando partires de regresso a Ítaca,deves orar por uma viagem longa,plena de aventuras e de experiências.Ciclopes, Lestregónios, e mais monstros,um Poseidon irado – não os temas,jamais encontrarás tais coisas no caminho,se o teu pensar for puro, e se um sentir sublimeteu corpo toca e o espírito te habita.Ciclopes, Lestregónios, e outros monstros,Poseidon em fúria –Continue reading “Ítaca”

Abnegação

“Não sejas abnegado, não gosto, fica-te mal”, disseste-me secamente quando, mais uma vez, te cedia o melhor lugar.“Não sejas abnegado” ficou-me horas na consciência. Fui procurar a definição exacta. Conheço a palavra mas não me lembro de a ter usado uma única vez. Abnegação, auto-sacrifício altruísta, acto de renunciar a algo em benefício de outraContinue reading “Abnegação”

O estado de nós

Os Estados são criações humanas, artificiais, e, como tal, refletem as qualidades, os defeitos, os anseios e os riscos das relações individuais. Quando os Estados têm de partilhar o mesmo espaço geográfico ou económico, partilhar recursos, riscos e oportunidades, dialogar e interagir por obrigação, surgem tensões que se acumulam continuamente. As relações entre as pessoas,Continue reading “O estado de nós”

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