Gosto de apreciar a dinâmica de um pelotão. Tal como um cardume, um bando ou uma manada de búfalos em corrida, um grupo compacto segue na mesma direção, com a mesma velocidade, com tal densidade que a distância entre si é inferior à sua própria amplitude.O pior lugar para se estar é à frente ouContinue reading “Pelotão”
Author Archives: Rui Rodrigues
Sete
Sete dias de criação, sete pecados mortais, sete virtudes cardeais, sete sacramentos, sete maravilhas do mundoSete vidas do gato, sete anões da Branca de Neve, sete anos estuda-se em HogwartsSete noites por cada fase na lua dos firmamentos primitivos De várias vidas de sete anos, faz-se longa uma vidaSete, catorze, vinte e um, vinte oito,Continue reading “Sete”
Preferido
Sabes quando entramos num restaurante, daqueles de comida rápida que toda a gente sabe qual é mas eu não vou dizer o nome porque não fica bem, e vemos afixada a fotografia sorridente do empregado do mês, fardado e penteadinho? É o que eu quero ser. Quero ser o teu preferido. Mas sei que nãoContinue reading “Preferido”
“Na minha idade, uma mulher bela não chega”(Jep Gambardella)
Escolas, hospitais, indústria, emigração e tv
Estamos a moldar um novo país. Novo, em relação aos últimos 30 anos, mas não muito diferente do passado. Portugal é desigual.A centralidade de Lisboa tem 4 ou 5 séculos, acentuada pelo comércio e administração colonial, da Índia do século XVI, Brasil do século XVIII e Angola do século XX, quando tudo passava pelas margensContinue reading “Escolas, hospitais, indústria, emigração e tv”
– Prontos, entregamo-mos à mercê, qual condenado, para confessar e revelar os nossos maiores embaraços, erros, medos e fraquezas. Desvalorizamo-nos e já não nos importamos.– Levanta-te e vai mas é trabalhar!
Temos guardado um génio que se mostra num brilho dos olhos, num gesto brusco, num esgar, no tremer de voz, quando estamos no bordo do precipício, frágeis, desvalorizados e já não nos importamos.Só alguns o vêem.
Revelei-te o mais íntimo de mim com o inconfessado desejo que te apaixonasses.Tive medo que fugisses, que te aproveitasses da minha fragilidade, que usasses o meu corpo.Não contava que adormecesses.
Retardados
Tenho inveja da segurança dos retardatários. A descontração de chegar ao trabalho com as tarefas já distribuídas, só ter para comer o que já foi rejeitado, sentar no lugar que mais ninguém quer, apostar no único treze que sobrou, encarar a censura de quem nos espera, arriscar dar com a porta já encerrada, não éContinue reading “Retardados”
Mitos e ditos portugueses
Há um dito muito interessante do povo português, referindo-se a acontecimento ou monumento anterior à nacionalidade, que é dizer é do tempo dos mouros.Lendas com castelos dos mouros, reis mouros ou princesas, chegaram ao século XX referindo-se indistintamente a episódios, construções ou ruínas visigóticos, romanos e até dolmens e antas neolíticos, além, naturalmente, dos própriosContinue reading “Mitos e ditos portugueses”