Os dias, semanas, meses, passaram numa sucessão tranquila e ordenada, naquela forma suave que percebe as rotinas, hábitos, gostos, impulsos e limitações que compõem a moldura de personalidade e circunstancialismo dos outros, sem atritos nem inquirições.Josefina não fazia perguntas mas na proximidade de várias horas diárias de trabalho e organização, conhecia cada vez melhor oContinue reading “Josefina Madeira . 16”
Author Archives: Rui Rodrigues
Maresia #2352
Sete dias, sete músicas
Josefina Madeira . 15
Faltava menos de um mês para as vindimas, já havia espaço na adega da quinta para as pipas do vinho novo, o armazém da cidade já estava arrumado com o que entretanto viera rio abaixo, e o calor do pino do verão não aconselhava engarrafamentos.Josefina aproveitava para verificar todos os barris, vertimentos e arrolhamentos, e,Continue reading “Josefina Madeira . 15”
Maresia #2351
Sete dias, sete músicas
Maresia #2350
Sete dias, sete músicas
Josefina Madeira . 14
O sol do fim da manhã inundava o terraço onde Josefina aguardava, sentada, com a bagagem ao lado, o pequeno saco de lona da cor da farda, bebericando a limonada que Maria fizera entre elogios ao limoeiro abrigado à porta da cozinha, orgulhosamente plantado por si há muitos anos, de cujos limões extraira o suco,Continue reading “Josefina Madeira . 14”
Maresia #2349
Sete dias, sete músicas
Josefina Madeira . 13
Josefina desceu para jantar. Maria e Alzira conversavam animadamente, da festa de São Lourenço, que seria daí a duas semanas.Ofereceu-se para ajudar, mas o jantar já estava adiantado e mesa posta. Mandaram-na sentar e aguardar, com a autoridade de quem serve e trabalha, e assim fez com a naturalidade que se ganha com respeito. EmboraContinue reading “Josefina Madeira . 13”
É melhor ter vivido
– O que é que acontece a quem agarra a vida, a quem se interessa pelo mundo, a quem arranja novos amigos, a quem se deixa encantar pelas novas modas?– A morte é só um segundo e a vida leva uma vida inteira a viver. Mais vale morrer cheio de pena de ir embora. (MiguelContinue reading “É melhor ter vivido”
Volta ao mundo
Aconcheguei-te no beliche da cabine fria no cargueiro agitado pelo Atlântico, babaste-me o ombro num sono solto de boca aberta no comboio noturno dos Andes, cobri-te de toalhas húmidas no calor sufocante do hotel barato de Manila, fui a tua almofada na relva do Central Park. Do resto não me lembro. “O amor não seContinue reading “Volta ao mundo”