Os dias, semanas, meses, passaram numa sucessão tranquila e ordenada, naquela forma suave que percebe as rotinas, hábitos, gostos, impulsos e limitações que compõem a moldura de personalidade e circunstancialismo dos outros, sem atritos nem inquirições.Josefina não fazia perguntas mas na proximidade de várias horas diárias de trabalho e organização, conhecia cada vez melhor oContinue reading “Josefina Madeira . 16”
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Josefina Madeira . 15
Faltava menos de um mês para as vindimas, já havia espaço na adega da quinta para as pipas do vinho novo, o armazém da cidade já estava arrumado com o que entretanto viera rio abaixo, e o calor do pino do verão não aconselhava engarrafamentos.Josefina aproveitava para verificar todos os barris, vertimentos e arrolhamentos, e,Continue reading “Josefina Madeira . 15”
Josefina Madeira . 14
O sol do fim da manhã inundava o terraço onde Josefina aguardava, sentada, com a bagagem ao lado, o pequeno saco de lona da cor da farda, bebericando a limonada que Maria fizera entre elogios ao limoeiro abrigado à porta da cozinha, orgulhosamente plantado por si há muitos anos, de cujos limões extraira o suco,Continue reading “Josefina Madeira . 14”
Josefina Madeira . 13
Josefina desceu para jantar. Maria e Alzira conversavam animadamente, da festa de São Lourenço, que seria daí a duas semanas.Ofereceu-se para ajudar, mas o jantar já estava adiantado e mesa posta. Mandaram-na sentar e aguardar, com a autoridade de quem serve e trabalha, e assim fez com a naturalidade que se ganha com respeito. EmboraContinue reading “Josefina Madeira . 13”
Josefina Madeira . 12
Entraram na vila, nas últimas centenas de metros já em terreno plano, a meio da extensa reta, antes da estrada voltar a subir, lá ao fundo, para mais curvas, mais vinhas, mais montes, outras vilas, cada vez mais esparsas para o interior.A placa de cimento, em bandeira, com o autocarro estilizado a preto e branco,Continue reading “Josefina Madeira . 12”
Josefina Madeira . 11
Saíram de casa pelas nove horas, fazendo-se ao caminho pela única estrada, se é que se pode chamar estrada a um estradão de terra ainda que bem cuidado, que dava saída dali para fora, ou de lá para dentro, consoante a vontade ou conveniência, subindo curva à esquerda, curva à direita, repetidas em frustrantes ganchosContinue reading “Josefina Madeira . 11”
Josefina Madeira . 10
“-Foi na fábrica do seu pai que aprendeu estas coisas, de gerir negócios?” Foi assim de rompante que Josefina entrou na conversa do serão, junto ao rio, que já se tornava um hábito, como qualquer ato se torna hábito quando se repete com agrado e conforto, mesmo que seja só pela segunda vez, na repetiçãoContinue reading “Josefina Madeira . 10”
Josefina Madeira . 9
No mês de julho, não havia grandes trabalhos a fazer na adega. Era o período das limpezas e manutenções, na preparação das vindimas do fim de verão.Revisão e lubrificação de prensas, lavagem de lagares e cubas, ocupavam o Natércio e o Cândido durante várias semanas. Estes dois eram os efetivos da adega, além do Francisco.TambémContinue reading “Josefina Madeira . 9”
Josefina Madeira . 8
Pouco deveria passar das seis horas da manhã, quando Sebastian bateu à porta de Josefina. Ela dormia profundamente. Tinham-se deitado tarde e custara-lhe a adormecer. O cansaço do dia anterior prejudicara-lhe o sono, mas, mais do que isso, tinha sido pela excitação do serão.Sebastian parecia-lhe agora uma pessoa diferente.Não estava surpreendida. Ela já não seContinue reading “Josefina Madeira . 8”
Josefina Madeira . 7
Pelo meio da tarde, já subiam o último cerro por onde passava o estradão que ligava à vila. As pernas de Josefina estavam naquele ponto em que pesam, mas mal se sentem. “-Agora só falta descer até lá baixo pela estrada. Vai ser rápido. Depois, descansar até ao jantar”. O rápido dele era muito relativo.Continue reading “Josefina Madeira . 7”