Esparguetes

Contamo-nos em gerações, agrupados como se cada uma fosse um pacote que se abre anualmente. Todos com as mesmas promessas, sonhos e planos, firmes, tesos, orgulhosos, uniformes, lineares, decididos, verticais, calibrados, medidos, iguais, prontos a ser lançados na panela da vida do grande chefe do universo.

Água, calor, sal, movimento, burbulhar, mistura de fases, mudanças de estado, vapor, o primeiro momento é um parto lento, curvar, mergulhar como o primeiro choro do primeiro minuto. Dobramo-nos, cedemos, misturamo-nos. Alguns, pobres, mal paridos, já entram quebrados.

Começa o rodopio, o carrocel, encontramo-nos, afastamo-nos, cruzamo-nos, reencontramo-nos, passamos ora por cima ora por baixo. Alguns seguem a vida juntos, outros nunca se vêem. Tocam-se uma vez e seguem rumos diferentes, em paralelo ou cruzados, voltam mais à frente ou atrás. O rodopio.

Dizem que esta vida são sete minutos. Não sei. O tamanho da panela, os litros de água, a intensidade do fogo, o testo, as gramas de sal, o caldo termodinâmico decidido pelo mestre faz a sorte de cada criação: crua, passada, al dente, insossa, apetitosa, no ponto, precoce, desperdiçada.

No fim, escorridos e depositados na taça, regados com molho de tomate, carne ou ovo, manjericão, alho, azeite, polvilhados de parmesão ralado como se fosse cal viva numa vala comum, servidos, damos a vez.

Sétima Legião

Legio VII Gemina, uma das mais famosas e bem-sucedidas legiões romanas, esteve sedeada mais de 300 anos na cidade de Legio, que lhe deve o nome, na província romana da Hispânia Tarraconensis, actualmente León, capital da região autónoma espanhola de Castilla-León, até ser mobilizada no século IV para o norte de África, para combater os invasores vândalos e alanos.

Formada por Júlio César em 52 a.c. para as campanhas na Gália, contra as tribos gaulesas lideradas por Vercingetórix, antes de ser enviada para a península Ibérica, deve o nome Gemina por partir da união de duas legiões pré-existentes, a Legio VII Claudia, fundada por Lúcio Cornélio Sula em 107 a.c., e a Legio VII Praetoria, fundada por Caio Otávio em 61 a.c.

Uma das principais batalhas em que a Legio VII Gemina esteve envolvida foi a Batalha do Rio Douro, que ocorreu em 27 a.c., em que as forças romanas lideradas pelo general Caio António derrotaram os lusitanos lideradas por Viriato.

Em tempo de Pax Romana, a legião foi responsável pela construção de estradas e fortificações como a de Bracara Augusta (Braga), uma das suas bases. A fama e prestígio chegou até aos nossos dias e enraizou-se na cultura popular simplesmente como Sétima Legião.

Full Metal Jacket


Revi ontem, pela enésima vez, Full Metal Jacket, de Stanley Kubrick.

Volto sempre a Kubrick. Sempre novo, sempre diferente, perturba, atrai, avisa, nunca está datado.

Full Metal Jacket é um filme de guerra diferente, pela montagem, pelas personagens, por tudo, mas isso é tema para outro pensamento, cinematográfico. O que me interessa aqui é a política e a sociedade, criticadas mais ou menos subtilmente.

A automatização do homem, a adaptação da personalidade ao colectivo, a necessidade de esbater as diferenças para o bem comum, a mecanização das rotinas, a pressão hierárquica, a exaltação do treino, a violência, o medo, a vingança, o poder desmesurado das pequenas chefias, o anonimato dos covardes, a coragem do espírito mais livre e esclarecido, a morte como libertação exasperada do mais fraco. Está lá tudo, na primeira parte, toda passada na caserna e campo de treino dos recrutas.

Depois vem o poder desmesurado, a máquina de guerra, a desumanização do desconhecido, o colonialismo, a violência, a ignorância, os sabujos locais, a corrupção, a miséria. Há uma frase que retive: “Estamos a matar os vietnamitas errados”.

Em qualquer manifestação de poder, político, governamental, económico, desportivo, policial, judicial, laboral e até pessoal e familiar, há sempre o acomodado, servil, obediente, e o indivíduo revoltado, quezilento, contestatário.

Uma sociedade só evolui se quem tem o poder souber ouvir quem o contesta, tanto para acolher como para alijar, em juízo, como também questionar permanentemente a valia e fidelidade dos que o adulam.

CRAZY EARL
Do I think America belongs in Vietnam? Um... I don't know. I belong in Vietnam. I'll tell you that.

DOC JAY
Can I quote L.B.J.?

REPORTER
Sure.

DOC JAY
(imitating L.B.J.)

"I will not send American boys eight or ten thousand miles around the world to do a job that Asian boys oughtta be doin' for themselves."

EIGHTBALL
Personally, I think, uh ... they don't really want to be involved in this war. I mean ... they sort of took away our freedom and gave it to the, to the gookers, you know. But they don't want it. They'd rather be alive than free, I guess. Poor dumb bastards.

COWBOY
Well, the ones I'm ... I'm fighting at are some pretty bad boys. I'm not real keen on ... some of these fellows that are . . . supposed to be on our side. I keep meeting'em coming the other way. Yeah.

DONLON
I mean, we're getting killed for these people and they don't even appreciate it. They think it's a big joke.

ANIMAL MOTHER
Well, if you ask me, uh, we're shooting the wronggooks.

RAFTERMAN
Well, it depends on the situation. I mean, I'm--I'm here to take combat photos. But if the shit gets too thick, I mean, I'll go to the rifle.

ANIMAL MOTHER
What do I think about America's involvement in the war? Well, I
think we should win.

COWBOY
I hate Vietnam. There's not one horse in this whole country. They don't have one horse in

Vietnam. There's something basically wrong
with that.

(laughs)

ANIMAL MOTHER
Well, if they'd send us more guys and maybe bomb the hell out of the North, they might, uh, they might give up.

JOKER
I wanted to see exotic Vietnam, the jewel of Southeast Asia. I wanted to meet interesting and stimulating people of an ancient culture and ... kill them. I
wanted to be the first kid
on my block to get a confirmed kill.
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