Ao amanhecer do dia 1 de janeiro de 1502, os três navios da pequena frota capitaneada por Gaspar de Lemos entravam na embocadura de um enorme rio de águas salgadas.A euforia instalava-se entre a cansada mas esperançosa tripulação. Tinham largado a barra do Tejo, em março, com a missão de aportar as Terras de VeraContinue reading “Rio de Janeiro”
Author Archives: Rui Rodrigues
Conto de Natal
Escreviam horas por dia, ele à janela, ela junto à lareira, num silêncio sereno de rotinas simples de quem se aceita e compreende, como se fossem de um para o outro desde o início, de refeições simples e prontas servidas da dispensa e do frigorífico, abastecidos em tempo quando decidiram recolher-se na montanha nevada, noContinue reading “Conto de Natal”
Terapia
Seis meses de viagem à volta do mundo, de cores, ruídos, desilusões e deslumbramentos, longas horas de ligações, caminhadas, refeições, esperas e corridas, e o descanso entrelaçado, pele a pele, ao fim do dia, sem vergonha de mostrar como se é, nem tenção de exibir o que nunca se será, num suar relaxado de medos,Continue reading “Terapia”
Amen
Quanto a religião, definitivamente sou abstémio.
Bum!
A paixão é tão fácil de acontecer como impossível de segurar, na reacção química exotérmica e explosiva, inevitável, aquando da combinação certa dos reagentes em atmosfera adequada.
Sofia . 2
Pedro não era corajoso o suficiente para dominar a aleatoriedade da vida, nem homem de fé para resignar-se tranquilamente ao desígnio de uma amada entidade superiora, aceitando as orientações impostas por opções e prioridades alheias. Mas não se deu sempre mal. Os seus sucessos eram justamente invejados, mas sentia-se sempre a reacção de outros actores,Continue reading “Sofia . 2”
Vazio
Houve um tempo que os bancos ocuparam os cafés na indignação de Manuel António Pina, mas agora o vazio enche-os no intervalo de fugazes imobiliárias de bairro e postos quase móveis de colecção de análises.A cidade esvai-se.
Josefina Madeira . 24
Era um mundo diferente do que ele conhecia. Na verdade, além de Josefina, Sebastian não lidava com pessoas mais novas, e a realidade portuguesa, onde ele tinha vivido nos últimos seus anos, era muito diferente da que se lhe deparava agora. Chegara a Manchester ao fim da tarde, de um dia cansativo de chuva eContinue reading “Josefina Madeira . 24”
Sofia.1
Todos os dias, ao passar das sete horas, sentia o focinho húmido de B no seu braço. Mesmo que estivesse acordada, deixava-o satisfazer o despertar, recompensado com afago apreciado com mimo.D era o primeiro a querer sair, junto à porta. Sério, sem olhar diretamente, orgulhosamente dissimulado.A era o mais fiel e monótono. Sentado, grande, olhava-aContinue reading “Sofia.1”
Josefina Madeira . 23
Sebastian saiu cedo, depois do pequeno almoço combinado, tratado e pago de véspera.Quando desceu, às sete horas, tinha mesa posta só para si. Deveria ser mesmo o único hóspede desse dia. Deu sinal de si à miúda de ar tímido, atrás do balcão, que mal balbuciou “ Good morning!”. Sentou-se por indicação dela, aguardou unsContinue reading “Josefina Madeira . 23”