“Se houvesse justiça no planeta, eu já tinha sido nomeado governador deste castelo, onde vivem três veteranos que de velhos criaram musgo ou pelo menos faroleiro. Como sou um contemplativo, o lugar convinha-me perfeitamente. Os homens devem ser felizes diante deste espectáculo sempre igual e sempre renovado. De Inverno nenhum barco atraca às Berlengas. SóContinue reading “As Berlengas”
Author Archives: Rui Rodrigues
Josefina Madeira . 19
Já passava das quatro da tarde, quando desciam para a adega no silêncio do cansaço da longa jornada.Desde manhã cedo, fizeram praticamente o mesmo percurso de cinco anos antes, com as mesmas paisagens, as mesmas subidas e descidas, paragens, apontamentos, fotografias, mas, agora, os horizontes alargavam-se, os limites estendiam-se, a quinta tinha quase o dobroContinue reading “Josefina Madeira . 19”
Passear, rir, contar histórias, aquecer, chorar, incentivar, apoiar, proteger e zangar, também.Apaziguar, aproximar, apertar, suar e adormecer.Voltar a passear e a rir, de mão dada.Viver, sonhar.Contigo.
Mais cedo ou mais tarde
Não sendo catastrofista nem apóstolo do fim dos tempos, vejo chegar o momento em que dificilmente avançaremos sem deixar alguns para trás. A luta contra a globalização, a coberto do combate ao capitalismo e na defesa da classe operária confortada do ocidente, pretendia condenar os milhões do terceiro mundo à mendicidade piedosa e à pobrezaContinue reading “Mais cedo ou mais tarde”
Rua 10 de Março
Cada cidade tem a sua rua de restaurantes, competindo avidamente pela freguesia.Tuga não foge à regra. À entrada da rua 10 de Março, na esquina do lado esquerdo, fica o maior e mais bem sucedido restaurante da cidade, o Rosa.Dois andares, amplo salão, um histórico, agora com nova gerência, liderado pelo jovem Pedro, cheio deContinue reading “Rua 10 de Março”
Josefina Madeira . 18
“-Mãe! Vou estar fora dois ou três dias no final da semana. Tenho de ir à quinta dos patrões, organizar coisas.”“-Sim, filha. Vai.”“-Vou com Sebastian.”Maria continuou na sua lide, como se não desse atenção.“-Ele, depois, vai para Inglaterra, dois ou três meses, tratar de coisas dele, e vai deixar-me a cuidar do armazém.”A filha jáContinue reading “Josefina Madeira . 18”
Josefina Madeira . 17
As ruas da cidade enchiam-se na noite mais curta de ano, a do início do verão, a noite de São João. Fogareiros à porta, sardinhas e febras das brasas para fatias de broa, vinho a jorrar de garrafões para malgas e canecas brancas, preparavam a noitada de rusgas, saltos à fogueira e alhos porros, ervaContinue reading “Josefina Madeira . 17”
Josefina Madeira . 16
Os dias, semanas, meses, passaram numa sucessão tranquila e ordenada, naquela forma suave que percebe as rotinas, hábitos, gostos, impulsos e limitações que compõem a moldura de personalidade e circunstancialismo dos outros, sem atritos nem inquirições.Josefina não fazia perguntas mas na proximidade de várias horas diárias de trabalho e organização, conhecia cada vez melhor oContinue reading “Josefina Madeira . 16”
Maresia #2352
Sete dias, sete músicas
Josefina Madeira . 15
Faltava menos de um mês para as vindimas, já havia espaço na adega da quinta para as pipas do vinho novo, o armazém da cidade já estava arrumado com o que entretanto viera rio abaixo, e o calor do pino do verão não aconselhava engarrafamentos.Josefina aproveitava para verificar todos os barris, vertimentos e arrolhamentos, e,Continue reading “Josefina Madeira . 15”